Contudo, a falta de informação clara sobre produtos sustentáveis (65%) e o preço elevado (61%) são vistos como os principais desafios para os inquiridos
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A economia circular começa a assumir um papel cada vez mais relevante nas decisões de compra dos consumidores. Esta é uma das principais conclusões do mais recente estudo da Escolha Sustentável sobre Tendências e Hábitos de Sustentabilidade no Consumo, que revela uma crescente adesão a práticas mais responsáveis, embora persistam desafios relacionados com o preço, a informação disponível e a confiança nas marcas. A maioria dos portugueses já ouviu falar do conceito de economia circular (82%), evidenciando um aumento significativo da notoriedade deste modelo económico. De acordo com o estudo, áreas como o vestuário (68%), a alimentação (56%), a tecnologia (47%) e o mobiliário (45%) surgem entre as categorias onde os consumidores identificam maior potencial para adoção de práticas circulares. A adoção deste tipo de comportamentos é já uma realidade para grande parte dos inquiridos. 95% integra práticas associadas à economia circular no seu dia-a-dia, destacando a reutilização de embalagens (80%), a reparação de equipamentos (68%) e o aproveitamento de sobras alimentares (67%), entre os hábitos mais comuns. O estudo demonstra também uma mudança de paradigma no que diz respeito à reutilização e compra de produtos em segunda mão. Três em cada quatro entrevistados (75%) já vendeu, comprou ou trocou artigos usados através de plataformas digitais, enquanto 83% considera que a compra em segunda mão é hoje socialmente aceite. Apesar desta evolução, continuam a existir obstáculos à adoção de hábitos de consumo mais sustentáveis. A falta de informação clara sobre produtos sustentáveis (65%) e o preço elevado (61%) destacam-se como as principais barreiras identificadas pelos portugueses. Ainda assim, a disposição para investir em produtos sustentáveis é considerável: 37% declara estar disposto a pagar um preço superior por artigos sustentáveis e 54% dos inquiridos admite fazê-lo dependendo da categoria do produto. O que mostra uma oportunidade para empresas capazes de criar propostas de valor alinhadas com critérios ambientais. Na decisão de compra, os entrevistados valorizam especialmente a durabilidade dos produtos (75%), a possibilidade de reciclagem (57%) e a origem dos mesmos (53%). Em contrapartida, as áreas da tecnologia (49%) e dos transportes (45%) são ainda aquelas onde os portugueses sentem maiores dificuldades em adotar comportamentos mais sustentáveis. O papel das marcas surge também como um aspeto central na promoção da economia circular. 97% considera importante que as empresas adotem práticas de economia circular, sendo particularmente valorizadas iniciativas como a disponibilização de produtos reutilizáveis (69%), incentivos à devolução e reutilização de artigos (65%) e a redução de embalagens (61%). A influência da sustentabilidade na escolha entre marcas é igualmente expressiva. No geral, os consumidores referem que os compromissos ambientais das empresas têm impacto no seu processo de decisão entre marcas (89%). No entanto, mais de um quarto dos inquiridos (27%) acredita que as empresas não comunicam de forma suficientemente clara e transparente as suas iniciativas de sustentabilidade. Por fim, o estudo mostra que a economia circular está a deixar de ser encarada apenas como uma tendência para assumir um papel cada vez mais importante no futuro do consumo nacional. Mais de metade dos entrevistados (54%) reconhece que estas práticas serão uma necessidade nos próximos anos, ao mesmo tempo que 40% refere ainda evitar regularmente a compra de produtos descartáveis. |