SMART CITIES
Inteligência Artificial abre novas vias para melhorar serviços, eficiência e competitividade urbana
Shanjir H

Inteligência Artificial abre novas vias para melhorar serviços, eficiência e competitividade urbana

Um estudo recente da Boston Consulting Group concluiu que a integração desta tecnologia nos serviços urbanos está associada a melhores resultados para os cidadãos, maior eficiência operacional e maior competitividade económica

As cidades que integram IA nos serviços públicos, na mobilidade, na gestão de infraestruturas e na relação com os cidadãos estão a criar melhores condições para reforçar a qualidade de vida, a eficiência urbana e a competitividade económica. Esta é uma das conclusões do estudo da Boston Consulting Group (BCG): “BCG’s Intelligent Cities Index 2026: How AI Shapes Urban Living”.

O relatório refere que não existe um modelo único de cidade inteligente: territórios diferentes podem alcançar níveis elevados de maturidade através de combinações distintas de estratégia, tecnologia, talento, governação e capacidade de execução. Esta perspetiva pode ser aplicada a cidades como Lisboa e Porto - que ainda que não contempladas no estudo - procuram acelerar a transformação urbana sem depender exclusivamente de infraestruturas de referência mundial ou de ecossistemas de financiamento de grande escala.

O relatório em questão constitui uma avaliação da BCG sobre a forma como 61 das maiores cidades do mundo, distribuídas por 39 países, utilizam a tecnologia para servir os seus residentes e empresas. O Índice analisa cinco domínios de maturidade: resultados, estratégia, adoção, formas de trabalho e fatores facilitadores. 

O nível global de maturidade de cada cidade resulta do desempenho combinado nestes cinco domínios, permitindo classificá-la como líder, em aceleração, emergente ou em desenvolvimento. A análise demonstra que a liderança no contexto das cidades inteligentes não decorre de uma fórmula única, mas de diferentes combinações de capacidades. Mesmo as cidades mais avançadas continuam a apresentar margem de evolução em áreas específicas, sobretudo num contexto em que as expectativas dos cidadãos aumentam ao ritmo da inovação tecnológica. 

Londres lidera a tabela geral, seguida por Dubai, Nova Iorque, Washington DC e Amesterdão. Mas mesmo estas cinco cidades não lideram em todos os domínios simultaneamente, sendo que cada uma destaca-se numa área diferente. 

"A IA pode transformar de forma muito concreta a experiência de viver numa cidade: otimizar a mobilidade em tempo real, antecipar necessidades de manutenção das infraestruturas ou tornar mais rápidas e personalizadas as interações dos cidadãos com os serviços públicos. Esta capacidade de passar de serviços essencialmente reativos para serviços cada vez mais preditivos e adaptativos é um dos grandes benefícios que a IA pode trazer às cidades." sugere Carlos Elavai, Managing Director e Partner da BCG em Lisboa. 

"Para acelerar o impacto, os setores público e privado têm de focar-se num número reduzido de problemas concretos. Eu começaria pelos casos de uso que combinam impacto visível para os cidadãos ou ganhos claros nas operações municipais, dados disponíveis e capacidade de demonstrar resultados num horizonte curto. O desafio seguinte é transformar esses primeiros pilotos em soluções à escala da cidade." acrescenta. 

O estudo conclui que as cidades não precisam de começar por infraestruturas de referência mundial, nem de se concentrar exclusivamente em ecossistemas de financiamento robustos, para melhorar os resultados para os residentes. A expansão de serviços urbanos inteligentes suportados por IA pode reforçar a qualidade de vida e a maturidade global de uma cidade, independentemente do seu ponto de partida. Tal demonstra que existem vários caminhos para construir uma cidade mais inteligente, alinhados com o nível atual de maturidade de cada território nos diferentes domínios e que cada território pode definir uma trajetória própria, ajustada ao seu nível de maturidade, aos recursos disponíveis e às prioridades locais. 

O relatório identifica várias características associadas a níveis mais elevados de maturidade e desempenho: 

  • A implementação de IA conduz a melhores resultados para os residentes: As cidades que integram IA nos principais serviços urbanos estão a alcançar resultados mais rápidos e mais consistentes, nomeadamente ao nível da eficiência, da capacidade de resposta e da qualidade dos serviços prestados; 
  • A utilização e a satisfação com aplicações de cidade inteligente aumentam em conjunto: À medida que os cidadãos reconhecem valor nas soluções digitais, aumenta a frequência de utilização, criando um novo círculo virtuoso de adoção, aprendizagem e melhoria contínua; 
  • A tecnologia por si só não é suficiente: As cidades mais maduras combinam fatores estruturais, como dados, plataformas tecnológicas e infraestruturas, com capacidades complementares, como talento, financiamento, governação e modelos de colaboração; 
  • O financiamento das cidades inteligentes e os ecossistemas de startups impulsionam a atividade económica: A promoção do empreendedorismo e da inovação é determinante para desenvolver soluções com escala, atrair investimento e responder de forma mais eficaz às expectativas dos residentes e das empresas. 
  • O progresso das cidades inteligentes exige uma visão de longo prazo, traduzida em decisões concretas e prioridades claras. Mais do que acumular tecnologia, o desafio está em selecionar e escalar soluções com impacto real: melhorar os serviços, responder às necessidades dos cidadãos, reforçar a sustentabilidade e aumentar a competitividade dos territórios.  

As cidades mais bem preparadas serão aquelas que conseguirem converter inovação em valor público duradouro, inclusivo e sustentável, assegurando que a transformação digital se traduz numa melhor qualidade de vida, em maior resiliência e em oportunidades de crescimento para cidadãos, empresas e instituições. 

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