SMART CITIES
As cidades portuguesas e o caminho para a digitalização

As cidades portuguesas e o caminho para a digitalização

A Portugal Agora organizou dia 26 de março o evento “Cidades Inteligentes - Um novo centro de competências em Portugal?” no âmbito de refletir sobre o potencial da tecnologia na otimização da gestão urbana, como já está a ser implementado nas nossas autarquias, e os desafios a enfrentar para tornar as cidades portuguesas verdadeiramente inteligentes

Como polos de inovação social, as cidades – e a melhoria das mesmas – são necessariamente uma temática de relevância para a Portugal Agora, uma plataforma focada em fomentar a inovação em Portugal ao oferecer "propostas concretas, sejam elas iniciativas privadas ou públicas, e pensar em como as concretizar: como, quando, por quem, em que momento e em que escala”, refere Carlos Sezões

Isto, acrescenta, requer muitas vezes juntar as competências de múltiplos stakeholders – empresas, universidades, autarquias, instituições – de forma a dar resposta a problemas multifacetados.

Foi neste ângulo multidisciplinar que a conferência  “Cidades Inteligentes - Um novo centro de competências em Portugal?” contou com um conjunto de oradores de diferentes vertentes da equação smart city, do fabricante de tecnologia ao governo local, para oferecer diferentes perspetivas sobre o que está, pode e virá a ser feito nas cidades portuguesas.

Na seleção de um exemplo de smart city portuguesa, Cascais é uma escolha natural, tendo nos últimos anos implementado com sucesso um conjunto alargado de soluções inteligentes, pelas quais foi várias vezes reconhecida a nível internacional. Estas vão desde o mais backstage – como um sistema inteligente de gestão de resíduos – até aplicações móveis de citizen engagement como a FixCascais, que permite aos habitantes reportar problemas na infraestrutura pública. 

O que potencia verdadeiramente estes projetos, explica Miguel Luis Pinto, Vice-Presidente da Câmara Municipal de Cascais, é a integração e gestão centralizada de todos os sistemas que constituem os ecossistemas digitais do município num único centro de comando digital (DCC) entitulado Cascais Cockpit. De todos problemas reportados, seja automaticamente via sensores ou por cidadãos via app, 75% resulta numa resposta imediata por parte do DCC.

No futuro, a cidade planeia integrar neste ecossistema veículos autónomos, tecnologia de reconhecimento facial para identidade digital, e soluções de tradução simultânea.

Miguel Luís Pinto relembra, no entanto, que o que faz uma cidade inteligente não é a tecnologia, mas sim o propósito para o qual esta é utilizada. "As smart cities existem para melhorar a vida dos cidadãos. A tecnologia não é um fi em si mesmo – nós adotamos a tecnologia para resolver os problemas dos nossos concidadãos”.

Este ponto de vista vem já a ecoar Inês Ferreira, M2M and IoT Group Product Manager da Altice Portugal, que apontou entre fatores críticos de sucesso de uma cidade inteligente, defende, o estabelecimento de prioridades adequadas às necessidades do município. 

Esta priorização deve então ser integrada num plano estratégico que ofereça uma visão alargada do que se pretende vir a implementar no futuro, como é que estas soluções se virão a integrar umas com as outras, e que resultados se prevê obter.

Estas não deixam de ser soluções tecnológicas sofisticadas e a expertise é outro fator sempre a considerar. Não só é necessário garantir que o projeto conta com a expertise necessária ao seu sucesso, mas também decidir de onde é que esta irá prover – se já existe dentro da autarquia e pode ser desenvolvido, se é necessário contratar ou se é preferível recorrer a consultoria, serviços e parcerias externos.

Há também que garantir a escalabilidade: a utilidade de uma solução prende-se em grande parte com a possibilidade de a alargar, sem perda de valor, a uma maior escala de operação. 

Se um município tem tecnologia com deteção de resíduos em meia dúzia de contentores, é necessário garantir que, ao alargar para todos os contentores do município, a tecnologia tem a capacidade de suportar essa massificação.

Por último, na escolha do equipamento, o uso de standards abertos é imperativo para o sucesso de qualquer iniciativa smart city, de forma a garantir que todos os dispositivos e sistemas – atuais e futuros – comunicam entre si.

A aposta da Altice Portugal na área das smart cities passou de facto por levar cobertura NBIoT (Narrow Band IoT, um standard aberto de comunicação rádio) a grande parte do território continental e regiões autónomas.

A NBIoT destaca-se pela sua penetração dos materiais de baixo consumo energético – apesar de não suportar a transferência de grandes volumes de dados com baixa latência, torna-se ideal para aplicações que envolvam volumes de dados pouco substanciais e necessitem uma grande longevidade das baterias.

Exemplos disto incluem use cases atuais que a Altice implementou em Portugal, nomeadamente soluções inteligentes de parqueamento, telemetria de água, gestão de resíduos sólidos urbanos e monitorização da poluição atmosférica e sonora. Para aplicações com maiores exigências de conetividade, contudo, o 3G, 4G e, em breve, 5G mantém-se a primeira escolha.

Nuno Piolty comparou o 5G à última peça do puzzle das smart cities: o “elemento agregador e acelerador" de todas as tecnologias que estamos e podemos vir a integrar nas nossas cidades.

“O que é interessante sobre o 5G é, por um lado, a multicidade de equipamentos que vamos poder ligar à rede”, explica – um número que poderá chegar a um milhão de dispositivos por quilómetro quadrado a comunicar entre si e com a restante infraestrutura de rede, terminais e centros de computação, virtualmente sem latência.

Tudo isto, conclui, levará inevitavelmente a “uma mudança significativa de paradigma”, trazendo consigo novos serviços inovadores – e, acima de tudo, seguros – novos modelos de negócio e, no todo, uma nova economia móvel.

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