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Cidade russa usa blockchain para monitorizar a qualidade do ar

Cidade russa usa blockchain para monitorizar a qualidade do ar

A cidade industrial de Tolyatti implementou recentemente um projeto piloto que recorre a uma rede de sensores com base em blockchain para monitorizar a qualidade do ar em zonas frequentadas por populações vulneráveis

A meio do percurso do rio Volga, fica uma cidade russa com cerca de 700 mil habitantes com o nome de Tolyatti. Como muitas outras cidades, e tendo em conta uma forte tradição de indústria pesada e automóvel, Tolyatti sofre de fortes problemas de qualidade do ar.

Para dar resposta a este desafio, a cidade começou o ano passado um projeto-piloto no qual recorre a uma rede de sensores conetados via blockchain para fazer a monitorização da qualidade do ar.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, 93% das crianças e adolescentes estão expostos a níveis de partículas finas resultantes de emissões acima dos limites convencionados, e a asma é a doença crónica mais comum na infância. A cidade de Tolyatti usou esta realidade como ponto de partida para o seu projeto, seguindo o exemplo de Londres, que meses antes implementou uma rede móvel de monitorização do ar com especial atenção a áreas frequentadas por crianças.

Neste projeto, a cidade vem a testar a implementação de um sistema que lhes fornece dados em tempo real sobre a qualidade do ar respirado pelas suas criança, com sensores implementados em recreios e parques infantis numa zona residencial da cidade.

Assim começou o projeto “Parque inteligente. Meio ambiente seguro”. O principal objetivo deste projeto piloto foi estabelecer as bases para a futura implementação de uma rede de monitorização da qualidade do ar em áreas frequentadas por populações particularmente vulneráveis – como escolas, parques, lares de idosos e hospitais – em toda a cidade.

A empresa de engenharia Airalab foi encarregada de implementar o projeto, recorrendo à fabricante de sensores Libelium

A rede instalada em Togliatti foi composta por dez pontos numa zona residencial da cidade, nas quais se colocaram sensores. O dispositivo eleito, segundo a Libelium, é o “Plug & Sense! Smart Environment PRO”, graças à sua combinação de facilidade de uso com bateria de longa duração.

A solução incluiu medidores de partículas de dimensões PM1, PM 2,5 e PM 10, sensores de pó e detetores de dióxido de enxofre (S2O) e óxido de nitrogénio (NO).

As primeiras medições do projeto foram levadas a cabo o ano passado. O seus dados foram transmitidos via rede 4G, facilitando o envio de informação em tempo real, após a qual os dados foram sujeitos a uma análise estatística. 

O projeto chegou a duas principais conclusões: as maiores concentrações de NO produzidas ao longo do dia coincidiram, no geral, com as horas de ponta de deslocação para o trabalho, enquanto as maiores concentrações de S2O e partículas se deram durante a tarde e noite.

Tendo em conta as principais fontes de emissão na cidade e as medições obtidas, a Airalab concluiu que os transportes são a principal causa das emissões de NO ao longo do dia, enquanto a atividade industrial é maioritariamente esponsável pelas emissões de SO2 e partículas PM1, PM2.5 e PM10 ao final do dia.

Outro aspeto de relevância é o uso de tecnologia de blockchain para armazenar os dados obtidos pelos sensores numa rede descentralizada que garante às autoridades e cidadãos a transparência e fiabilidade da informação. Adicionalmente, este sistema permite que quem esteja interessado em ter acesso a estes dados os possam adquirir diretamente na rede, sem intermediação humana, através do uso de smart contracts.

Segundo a Airalab, qualquer organização, indivíduo ou empresa interessada podem solicitar informação à qual querem ter acesso na rede. É então gerado um smart contract a partir do qual os sensores levam a cabo as medições solicitadas.

Para lá da transparência, a integridade dos dados é salvaguardada pela tecnologia blockchain, de forma a que cada medição registada seja imutável.

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