ENERGIAS
Quatro matérias-primas que estão a transformar o setor energético

Quatro matérias-primas que estão a transformar o setor energético

A Associação de Bioenergia Avançada alerta para a importância da valorização de subprodutos na produção de energia renovável

A volatilidade nos mercados energéticos, amplamente evidenciada por constrangimento em pontos críticos como o Estreito de Ormuz, tem vindo a reforçar a necessidade de uma matriz mais diversificada e da redução da dependência de fontes de consumo externas. Num contexto marcado pelo aumento de preços nos combustíveis e por maior incerteza geopolítica, a aposta em fontes renováveis e soluções assentes em recursos endógenos, como a bioenergia produzida a partir de resíduos e outros subprodutos, afirma-se como um vetor crucial para aumentar a resiliência dos sistemas e a competitividade da economia portuguesa.  

“A bioenergia avançada traz benefícios claros para o ambiente, para a economia e para a sociedade. Ao substituir, de forma progressiva, os combustíveis fósseis, afirma-se como uma resposta concreta à volatilidade dos mercados energéticos e à necessidade de reforçar a autonomia energética nacional”, afirma Ana Calhôa, Secretária-Geral da Associação de Bioenergia Avançada.

Neste contexto, a Associação de Bioenergia Avançada (ABA) identifica quatro tipos de resíduos e subprodutos que podem ser utilizados para a produção de bioenergia avançada: 

 

1 | Resíduos domésticos 

Os resíduos urbanos e domésticos, como restos alimentares e óleos alimentares usados, constituem uma matéria-prima valiosa para a produção de bioenergia avançada, tanto líquida como gasosa. A conversão destes resíduos em biometano permite substituir diretamente o consumo de gás natural, enquanto o aproveitamento de óleos alimentares usados para a produção de biodiesel, por exemplo, oferece uma alternativa eficaz e imediata para a mobilidade.

Estas soluções contribuem de forma significativa para a redução das emissões de gases com efeito de estufa e para a diminuição da dependência de combustíveis fósseis. Ao mesmo tempo, demonstram como a ação individual, através de uma gestão eficaz de resíduos produzidos de forma doméstica, pode ter um impacto positivo na construção de um futuro mais sustentável.

 

2 | Subprodutos agrícolas 

Os excedentes da atividade agrícola, como restos de colheitas, cascas, palha ou serradura, constituem uma matéria-prima abundante e ainda pouco explorada para a produção de bioenergia avançada. A conversão destes subprodutos em energia permite reduzir as emissões associadas à sua decomposição, enquanto gera uma fonte de rendimento adicional para os produtores. Esta abordagem contribui simultaneamente para a descentralização da produção de energia e para a sustentabilidade do setor energético, garantindo que, em períodos de intempéries, o país tem um modelo mais resiliente de consumo, alinhado com os princípios de economia circular e de transição energética. 

 

3 | Resíduos florestais 

O que sobra das limpezas das matas e florestas, como ramos, folhas e restos de poda, representa não apenas uma oportunidade energética para a produção de bioenergia avançada, mas também uma ferramenta de gestão de risco e valorização económica do território. Ao serem aproveitados para a produção de biocombustíveis, estes resíduos florestais evitam também acúmulos de biomassa que, em períodos de seca e calor intenso, aumentam significativamente o risco de propagação de incêndios.  
 

4 | Excedentes industriais  

A valorização e incorporação de excedentes industriais na produção de bioenergia avançada, permite fechar ciclos produtivos, promovendo uma economia industrial mais eficiente, resiliente e sustentável. Para além de reduzir o desperdício, este aproveitamento incentiva a inovação e a adoção de tecnologias de conversão energética, criando oportunidades concretas para o desenvolvimento tecnológico e industrial. Ao integrar a circularidade na cadeia de valor, reforça-se a competitividade e transição energética do setor.

A articulação entre o setor industrial, a ação individual e as políticas públicas é fundamental para avançar rumo a uma sociedade neutra em carbono. A Associação reforça a importância de promover uma economia mais circular e resiliente, em que a bioenergia avançada contribui de forma concreta para a valorização de resíduos e subprodutos e para uma utilização eficiente dos recursos. 
 

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