O CEO da EDP Innovation alertou durante a Web Summit 2025 para a dependência energética da inteligência artificial e para os limites físicos que o consumo crescente de data centers impõe à digitalização global
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O crescimento exponencial da Inteligência Artificial (IA) enfrenta limites físicos impostos pela energia disponível e, António Coutinho, CEO da EDP Innovation, defendeu, numa das sessões na Web Summit 2025, que “o futuro da IA depende da energia que conseguimos gerar e entregar. A energia é a nova largura de banda. O poder não será apenas codificado; será alimentado por cada um de nós”. Desde 2014, explicou, a capacidade de computação para IA aumentou 350 mil vezes, enquanto os ativos de geração energética cresceram apenas 1,56 vezes. “O digital escala exponencialmente, mas a física da energia cresce apenas incrementalmente”, explicou, considerando “bastante surpreendente que as grandes empresas tecnológicas só agora percebam que estão limitadas pela energia”. A infraestrutura necessária para suportar esta escalada é enorme, uma vez que “cada data center hyperscale necessita de cerca de 300 a 500 megawatts de energia, o equivalente a uma central elétrica de dimensão média. Se considerarmos a refrigeração e redundância, a demanda até se duplica. A energia tornou-se uma limitação ativa que exige inovação”. Em diversos países, como Irlanda, Holanda e EUA, a capacidade da rede já está esgotada, apontou, e os preços da eletricidade disparam onde surgem novos centros de dados. A corrida pela independência energéticaAlém da pressão local, a dependência energética tem impacto geopolítico, com “76% do mundo, apenas 26% da população, é independente em termos energéticos. Os EUA só começaram a ser independentes em 2019, mas 74% da população mundial depende de países produtores de combustíveis fósseis. A Europa importa 60% da sua energia”. O responsável explicou que a eletrificação é fundamental para autonomia e soberania, e também mais eficiente, já que “ao trocar um carro com motor de combustão por um veículo elétrico, consome-se quatro vezes menos energia. Ao substituir uma caldeira a gás por uma bomba de calor, consome-se três a quatro vezes menos energia”. “Sem competir em energia, não se vence a corrida da IA”, alertou António Coutinho, sublinhando a relação direta entre capacidade energética e liderança tecnológica. O investimento mundial em energia limpa atingiu 2,1 biliões de dólares no ano passado, mas, para cumprir as metas governamentais, “é necessário triplicar este valor nos próximos 20 anos”. As oportunidades de investimento e para startups, disse, “são enormes” e representam “7% do PIB mundial, um valor superior ao balanço da Reserva Federal dos EUA”. A inovação como motor da transição energéticaAntónio Coutinho destacou que a eletrificação altera a forma de encarar os custos, ao lembrar que “o gás é um pagamento contínuo, todos os anos; a energia solar paga-se uma vez e os benefícios duram a vida do ativo. Um gigawatt de solar representa uma poupança de 250 milhões em importações de gás, e em três a quatro anos o investimento compensa-se”. Apesar de ser a forma mais barata e rápida de mudar o ciclo energético, a implementação de energias renováveis enfrenta obstáculos estruturais. “O custo solar caiu 65% nos últimos dez anos, o eólico 80% e o armazenamento 65%. Mais barato que fósseis e até nuclear, e mais rápido de instalar: 12 a 18 meses contra cinco anos para fósseis”, disse. Alertou ainda que “apesar da tecnologia existir, o sistema não está pronto. Licenças, conexões à rede, tudo demora tempo. Não é apenas tecnologia, é todo o sistema de suporte”. A inovação aplicada à infraestrutura física é, segundo o CEO da EDP Innovation, essencial para acelerar a transição energética, porque “a IA aplicada ao físico permite acelerar a transformação do mundo”, tal como as “plataformas digitais e gémeos digitais permitem fazer mais com os mesmos ativos; o próximo unicórnio provavelmente virá desta interseção”, concluiu. |