SMART CITIES
Ligar as pessoas às cidades: o poder da educação e tecnologia

Ligar as pessoas às cidades: o poder da educação e tecnologia

A Portugal Smart Cities Summit recebeu a conferência “Connecting People with Cities”, que teve a NOS como anfitriã. Desde os contributos da engenharia e arquitetura ao papel das universidades, o futuro passa por soluções urbanas inteligentes

Ana Costa Freitas, reitora da Universidade de Évora, moderou o encontro “Connecting People with Cities” em representação do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas. A académica começou as intervenções afirmando que “a maioria das políticas públicas” devem ter como base a investigação e a ciência, almejando a coesão. Num painel onde o setor público se fez representar especialmente, o mote foi a responsabilidade na construção da ponte entre pessoas e cidades.

Ludovic Thilly conversou sobre o papel das universidades para a criação de um ambiente urbano inovador e sobre o objetivo de as tornar cidades em si mesmas. Cidades – e universidades – abertas, sustentáveis e inteligentes.

O programa EC2U e o Coimbra Group Universities são meios para isto mesmo: o vice-reitor da Universidade de Poitiers aponta os exemplos de autênticas “cidades-universidades” (associadas ao programa EC2U) Pavia, Salamanca, Lasi, Turku, Poitiers e Coimbra. Este Campus Europeu de Cidades Universitárias é uma aliança multicultural e multilingue de seis universidades, que permite fluxo de mobilidade livre entre elas e entre as respetivas cidades, sustentando a ideia de uma identidade europeia no contexto universitário.

Já o Coimbra Group Universities é também constituído pela portuguesa Universidade de Coimbra e outras 38 instituições. Propõe-se com estes aglomerados, além dos objetivos curriculares, a criação de um sistema homogéneo de sustentabilidade.

Filipa Roseta, arquiteta e vereadora da Câmara Municipal de Cascais com o pelouro do Urbanismo, acredita que “tudo começa nas pessoas” e que, tendo essa prioridade em conta, não se devem temer as novas tecnologias, visto servirem para “aproximar as pessoas” e “empoderar as cidades”, na ótica da autarquia.

Cascais é exemplo nacional no que toca à mobilidade urbana, destacando-se o autocarro autónomo que já circula pela cidade, mas Filipa Roseta refere que a mudança não é reconhecida apenas nesse contexto. A digitalização de “todos os processos urbanísticos”, a partir de 2011, permite que a Câmara monitorize todos os processos e analise a sua eficiência. Em Cascais, o Orçamento Participativo (uma das principais pontes entre cidadãos e projetos municipais) é “o maior da Europa”, diz a vereadora.

Outra proposta da Câmara Municipal é o projeto “Nós Propomos”, criado pela FCT, que chega às escolas para “ensinar às disciplinas de Geografia [do ensino secundário] a olharem para as cidades” – em 2018/2019 chegou a 90 alunos e espera-se que no próximo ano letivo chegue a 400.

O CityPoints Cascais é uma aplicação que vem promover “boas práticas ambientais”, oferecendo serviços e produtos em troca de ações como dádiva de sangue, adoção de animais, voluntariado, troca de livros escolares ou uso de transportes públicos.

Um obetivo futuro é a aplicação da Inteligência Artificial em mais áreas do planeamento urbano. Filipa Roseta não é cética em relação à integração de soluções tecnológicas mais modernas e pede confiança nelas: “nunca é a tecnologia que é má, é sempre a pessoa que está por trás que é boa ou má”.

Tiago Pinto, investigador do Instituto Politécnico do Porto (IPP), mostrou à audiência do Smart Cities Summit projetos em 3D de cidades inteligentes, bem como a complexa rede de engenharia que suporta a evolução a este nível. O Grupo de Investigação em Engenharia e Computação Inteligente para a Inovação e o Desenvolvimento do IPP dedica-se exclusivamente a projetos de inclusão de Inteligência em soluções de engenharia.

Temos de olhar para o cidadão e arranjar forma de o fazer adapatar os seus consumos” aos objetivos sustentáveis. Para isso, diz Tiago Pinto, pode recorrer-se a incentivos monetários, por exemplo. A ideia é não obrigar os consumidores a saírem por completo da sua zona de conforto ou mudarem drasticamente comportamentos, conseguindo ainda assim que contribuam para mudar o planeta.

Graça Carvalho, antiga ministra da Ciência, Inovação e Ensino Superior, fechou a sessão considerando-a “inspiradora e multifacetada”. O objetivo é, em síntese, “tornar o espaço público mais limpo” e “as pessoas mais informadas”.

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