SMART CITIES
Cidades inteligentes podem gerar retorno de 60 mil milhões de dólares

Cidades inteligentes podem gerar retorno de 60 mil milhões de dólares

Um estudo da Deloitte refere que o investimento em cidades inteligentes vai aumentar 14% em 2020. O retorno desse investimento pode chegar aos 60 mil milhões de dólares à escala global

Estudo sobre o impacto de mudanças tecnológicas, económicas e demográficas em indústrias, cidades e empresas alerta que as cidades no mundo inteiro podem alcançar 60 mil milhões de dólares de retorno de investimento das Smart Cities.

Reunindo um benchmarking de cem cidades, bem como dados e insights de líderes urbanos de Smart Cities de quatro grandes pilares de transformação (tecnologia, dados, cibersegurança e cidadãos conectados), concluiu-se que existem avultados benefícios económicos, comerciais e sociais se as cidades se tornarem melhor conectadas e inteligentes, com impacto em áreas tão diferentes como a mobilidade, a saúde, segurança pública, governo, empresas e, consequentemente, na vida de residentes e visitantes das cidades.

Os dados assinalam que o retorno financeiro é apenas um dos fatores da equação. A ele somam-se os benefícios sociais e ambientais, tais como a redução da criminalidade e do congestionamento, assim como um progresso na saúde pública e no nível de vida.
Em suma, 43% das cidades pesquisadas (e 52% dos city líderes) estariam dispostas a investir num projeto apenas com benefícios sociais e 38% espera obter benefícios intangíveis que não podem ser medidos através do ROI.

Miguel Eiras Antunes, Líder global de Smart Cities na Deloitte, assinala que “certo é que as cidades esperam, em média, aumentar os seus investimentos em Smart City em 14% no próximo ano. Para rentabilizar este investimento, a colaboração entre ecossistemas inovadores é uma estrada de um só sentido rumo à ambição global da Deloitte, alinhada com três objetivos: tornar as pessoas mais felizes, aumentar a competitividade económica e utilizar os recursos naturais de forma inteligente. Ser uma smart city é muito mais do que um ‘have to do’ em termos de tendência: o impacto é gigante na vida das pessoas”.

O estudo classificou cidades de acordo com três estados - implementadores, promotores e líderes. O estudo assinala ainda que – de acordo com as cidades - os investimentos em Internet of Things (IoT) irão duplicar nos próximos anos para o meio ambiente e crescerão 50% para edifícios e espaços públicos, energia e eletricidade e gestão de água e resíduos.

A cidade inteligente não se refere apenas à adoção de tecnologia, mas também aos vínculos comerciais com outras cidades e países, além do desenvolvimento de parcerias com os ecossistemas locais e globais de comunidades académicas e comerciais. Por exemplo, 48% das cidades pesquisadas trabalham com instituições académicas para encontrar soluções de Smart Cities, enquanto que 57% das cidades trabalha com empresas e outras entidades não públicas para reunir dados. Espera-se que os dados resultantes de crowdsourcing, geoespaciais e comportamentais aumentem meteoricamente nos próximos três anos.

Miguel Eiras Antunes destaca ainda “a relevância da recolha de dados para uma gestão holística das cidades. Na Deloitte desenvolvemos soluções que criam um impacto tangível na forma como administramos as nossas cidades. Uma delas passa pela integração de soluções e plataformas de dados que, ao invés de trabalhar de forma isolada, agregam e gerem os dados de todas as áreas da cidade. Em Portugal, o case study é a cidade de Cascais, cujo projeto foi alvo de atenção pelo Fórum Económico Mundial, que veio a Portugal para estudar o sistema integrado de mobilidade do município de Cascais, com vista a replicar as melhores práticas em cidades globais”.

As cidades utilizam dados e análises avançadas nos seus ecossistemas, no entanto deparam-se com algumas dificuldades provenientes da falta de colaboradores com competências em análise de dados e um quadro regulamentar que precisa de ser melhorado. 52% necessita do apoio dos cidadãos e de outros stakeholders e 48% afirma precisar de garantias de que a velocidade do desenvolvimento acompanha as necessidades das empresas e dos cidadãos.

Segundo Miguel Eiras Antunes, “Portugal tem todas as condições para ser pioneiro a nível global na área das Smart Cities. O caso de sucesso de Cascais, mas também toda a transformação no setor da mobilidade em Lisboa e o investimento na transição digital do país criam todas as condições para desenvolver em Portugal produtos tecnológicos internacionalizáveis capazes de serem exemplos a nível global. Considero inclusive que, temos a dimensão adequada para com uma estratégia concertada a nível nacional, podemos ambicionar vir a ser uma referência enquanto Smart Nation, à semelhança de Singapura”.

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