SMART CITIES
Smart cities no Mundo: o caso de Seoul

Smart cities no Mundo: o caso de Seoul

A capital sul-coreana tem os dados firmemente integrados na base das suas infraestruturas e serviços inteligentes, usando tecnologias como a IA, analítica e IoT para resolver os problemas decorrentes da sua grande densidade populacional

 

Quando Park Won Soon tomou posse como Presidente da Câmara de Seul em 2011, declarou que iria construir uma cidade onde os "cidadãos são o Presidente da Câmara". Oito anos depois, fez grandes progressos de forma a alcançar esta ambição: plataformas digitais permitem aos "cidadãos inovadores" co-criar a sua futura cidade e votar regularmente nas políticas.

Os “cidadãos inteligentes” estão no centro do plano geral de smart city de Seul, lado-a-lado com as infraestruturas e serviços.

A visão consiste em utilizar o IT ao longo da cidade para transformar a vida dos cidadãos, incluindo os mais desfavorecidos, através de um desenvolvimento regional equilibrado. As metas políticas abrangem os domínios do tráfego, segurança, ambiente, bem-estar social, economia e administração. 

Abrigada nas margens do rio Han, no noroeste da Coreia do Sul, o desenvolvimento e transformação de Seul desde o fim da Guerra da Coreia, em 1953, tem sido notável. Da total ruína, transformou-se, em meio século, numa megalópole global de alta tecnologia. A Coreia do Sul, em geral, industrializou-se em menos de 30 anos, ao passo que muitos países europeus demoraram um século.

Entre as décadas de 1960 e 1990, Seul deparou-se com um rápido crescimento demográfico – e com os consequentes desafios urbanos. Apesar de conquistas significativas, como a redução de resíduos em 40% (1994 - 2015) e o aumento da utilização de autocarros em 20% (2004 - 2013), Seul continua a ter de superar desafios urbanos significativos. O trânsito lento e o congestionamento, o aumento da poluição atmosférica e o aumento em 27% do número de idosos que vivem sozinhos desde 2012 são apenas algumas das questões abordadas.

As parcerias público-privadas e a promoção de start-ups inovadoras de criação de cidades inteligentes são consideradas fundamentais para alcançar a sustentabilidade.

Estas fazem parte de um ecossistema de tecnologia e inovação emergente, pronto para testar e comercializar rapidamente a I&D, e aceitar a inteligência artificial (IA), o blockchain, o 5G e a robótica – bem com o qualquer futura tecnologia a  entrar em cena.

 

Uma visão construída sobre dados

“Baes on data” é uma das cinco estratégias inovadoras que Seul está a implementar, para alcançar a sua visão de cidade inteligente na energia e em outros sectores. A recolha e a análise de padrões urbanos constituem a base a partir da qual se podem obter infraestruturas, serviços e cidadãos inteligentes. O caminho para uma utilização mais inteligente dos dados começou em 2011, com a integração de conjuntos de dados administrativos internos anteriormente em silos.

No ano seguinte, foi lançada a "Open Plaza Data", dando a developers e investigadores de terceiros acesso a conjuntos de dados urbanos a partir dos quais podem ser gerados novos serviços e insights. Iniciativas mais recentes incluem uma grande plataforma de dados, um campus, o Gabinete Digital do Presidente da Câmara, e uma "população virtual" em tempo real.

Antes de se poder gerar valor a partir de dados, é necessário criá-los. Uma das principais maneiras de gerar dados para as inovações smart city é através da monitorização, em tempo real, de vários ativos urbanos. Os sensores instalados até agora em Seul incluem câmaras CCTV e detectores que medem o fluxo do tráfego, a velocidade circulação e a qualidade do ar. Seul pretende implementar mais 50.000 sensores IoT por toda a cidade até 2022, para monitorisar partículas no ar, a direcção do vento, ruído, vibração e movimentos populacionais.

Com grandes volumes de novos dados a serem produzidos por cidades inteligentes, é crucial torná-los consideravelmente mais acessíveis, de forma a poder explorar o potencial conhecimento. O Seoul's Open Data Plaza fornece acesso a mais de 5.000 bases de dados, incluindo informação de sensores em tempo real, com 184 aplicações criadas até agora. As bases de dados abrangem muitas áreas da vida urbana, da saúde à habitação, e teriam sido visualizadas 6,9 mil milhões de vezes até Janeiro de 2019.

O valor económico destes dados foi estimado em 1,5 mil milhões de dólares pelo Instituto de I&D da Coreia do Sul. "Estamos a utilizar activamente tecnologias de IoT e Big Data nas nossas políticas", refere o presidente.

A plataforma interna de Big Data do SMG tem sido utilizada para identificar tendências e perspectivas a partir de vastas bases de dados. Foram desenvolvidos quarenta e quatro estudos de casos que identificam benefícios nos últimos sete anos. Por exemplo, foram analisados três mil milhões de registos de chamadas móveis, de forma a identificar chamadas nocturnas a empresas de táxis e planear as rotas e a frequência de um novo "Owl Bus", que serve as necessidades das pessoas que saem à noite e das que trabalham por turnos, reduzindo o congestionamento.

 

Detective IA

A plataforma de Big Data foi também utilizada para criar um "Detective IA" para ajudar a assinalar potenciais padrões de crime quando um incidente é registado, poupando assim tempo precioso de resposta. Foram igualmente analisados os acidentes de trânsito que envolvessem cidadãos idosos para identificar os pontos críticos em que são necessárias zonas especiais de protecção de idosos. O campus de Big Data proporciona ambientes virtuais e físicos seguros para que os intervenientes públicos, privados e académicos partilhem dados e resolvam desafios urbanos urgentes através da colaboração.

 

Gabinete Digital do Presidente da Câmara 

O Gabinete Digital do Presidente da Câmara foi lançado em 2017. O recebe dados de 290 fontes de modo fornecer ao Presidente da Câmara dashboards em tempo real e visualizações do estado da cidade, da opinião pública, do progresso de projectos essenciais, de ferramentas de apoio à decisão e do controlo operacional.

O Presidente da Câmara pode aceder ao sistema através de um grande ecrã inteligente no seu gabinete, com reconhecimento de voz e gestos, bem como através de dispositivos móveis.

É também disponibilizada aos cidadãos uma versão do sistema baseado na web para proporcionar maior transparência e compreensão do modo como a sua cidade está a funcionar e a progredir.

Planos futuros para a inovação de dados incluem a construção de uma grande plataforma de dados dedicada aos sectores público e privado, a expansão da IA para eficiência administrativa e a inauguração de mais bases de dados.

 

Sociedade envelhecida

Seul tem uma "sociedade envelhecida" com 14,4% da população com mais de 65 anos de idade. Prevê-se que a cidade se torne uma "sociedade super-envelhecida” em 2026, com os idosos a representarem mais de 20% da população.

Os dados estão também no centro de uma recente iniciativa de segurança lançada, que se foca na terceira idade que vive sozinha na cidade. Seul tem instalado sensores de recolha de dados ambientais que detectam movimentos, temperatura, humidade e iluminação nas casas de idosos vulneráveis, com problemas de saúde e redes sociais fracas. Os dados estão a ser monitorizados em tempo real nos dasboards e através dos telemóveis dos assistentes sociais.

Quando não é detectado qualquer movimento durante um determinado período de tempo ou são detectados dados anormais em termos de temperatura, humidade ou iluminação, o assistente social responsável contacta e visita imediatamente a casa e toma medidas de emergência, tais como ligar para o 119.

Os detectores de movimentos IoT são concebidos para detectar emergências proativamente e têm como objectivo salvar as vidas de idosos que possam desmaiar nas suas casas devido a problemas de saúde ou de idosos com demência que possam vaguear e perder-se.

A monitorização de movimentos em tempo real também permite a inspecção da segurança dos idosos de alto risco que vivem sozinhos e para os quais os cuidados de saúde e os controlos de segurança não estavam facilmente disponíveis, devido a perturbações auditivas que dificultavam o seu contacto telefónico ou pela sua relutância em receber visitas devido a viverem em auto-isolamento ou com depressão.

O Governo Metropolitano de Seul afirma não ter havido uma única morte solitária nas casas apoiadas pelo serviço desde o lançamento do projecto.

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