Projeto vencedor do Hack the City: Mobility Challenge utiliza dados reais dos operadores de transportes da Área Metropolitana de Lisboa para ajudar a identificar irregularidades no serviço. A iniciativa integrou um encontro internacional dedicado à utilização de dados e gémeos digitais na mobilidade urbana
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Uma ferramenta que permite identificar situações em que vários autocarros da mesma carreira circulam demasiado próximos uns dos outros, localizar os pontos mais críticos da rede e apoiar a melhoria da regularidade do serviço foi a vencedora do Hack the City: Mobility Challenge, organizado pela NOVA Information Management School (NOVA IMS), através do NOVA Cidade – Urban Analytics Lab, em parceria com a Transportes Metropolitanos de Lisboa (TML) e a rede europeia de cidades pela mobilidade POLIS. O projeto, denominado Route Maxxing, foi desenvolvido durante um hackathon de 48 horas, que reuniu mais de 40 participantes para responder a dez desafios concretos da mobilidade urbana, utilizando dados disponibilizados pelos operadores de transportes da Área Metropolitana de Lisboa. A ferramenta procura responder ao fenómeno conhecido como bus bunching, que ocorre quando atrasos e irregularidades na circulação levam à concentração de vários autocarros da mesma carreira num curto intervalo de tempo. A solução desenvolvida permite analisar estas ocorrências, identificar as linhas e os locais onde o problema é mais frequente e fornecer informação que poderá ajudar os operadores a compreender as suas causas e a melhorar a gestão do serviço.
Problemas reais, dados reaisUm dos aspetos centrais da iniciativa foi o envolvimento direto dos operadores de mobilidade. Em colaboração com o NOVA Cidade – Urban Analytics Lab, estas entidades identificaram desafios relacionados com a gestão dos seus serviços, disponibilizaram dados para o desenvolvimento das soluções e acompanharam o trabalho das equipas. Os participantes tiveram assim acesso a problemas e informação operacional que habitualmente não estão disponíveis neste tipo de competições, podendo desenvolver e testar propostas em contacto direto com as organizações responsáveis pela gestão dos transportes. Além da ferramenta vencedora, foram distinguidos outros dois projetos. O segundo lugar foi atribuído a uma solução que permite avaliar a qualidade dos transportes públicos através de indicadores como a pontualidade e a regularidade do serviço. O terceiro lugar distinguiu uma aplicação dedicada ao sistema de bicicletas partilhadas de Cascais, concebida para identificar bicicletas abandonadas e otimizar os percursos para a sua recolha. As três soluções demonstram diferentes possibilidades de aplicação da ciência de dados à mobilidade urbana, desde a monitorização das operações de transporte público à gestão de serviços de mobilidade partilhada. “Os operadores de transportes conhecem os problemas e dispõem de dados fundamentais para os compreender. Na NOVA IMS, temos o conhecimento e as competências necessárias para transformar esses dados em informação útil para a tomada de decisão. Esta iniciativa mostra o valor de aproximar a academia das organizações responsáveis pela mobilidade, trabalhando sobre desafios concretos e desenvolvendo soluções que poderão contribuir para melhorar os serviços prestados aos cidadãos”, afirma Miguel de Castro Neto, Diretor da NOVA IMS.
Da experimentação à gestão da mobilidade urbanaO Hack the City: Mobility Challenge integrou o evento internacional Mobility & Digital Twins – Enabling the Data-Driven City of Tomorrow, realizado entre 23 e 25 de setembro, que reuniu investigadores, especialistas, decisores políticos e representantes de organizações nacionais e internacionais para discutir a utilização da ciência de dados, da inteligência artificial e dos gémeos digitais na gestão das cidades. Entre os participantes estiveram representantes da Comissão Europeia, através da Direção-Geral da Proteção Civil e das Operações de Ajuda Humanitária Europeias (DG ECHO) e da Agência de Execução Europeia do Clima, das Infraestruturas e do Ambiente (CINEA), do Gabinete das Nações Unidas para a Redução do Risco de Desastres (UNDRR), da Transport for London e do Instituto de Ciência e Tecnologia do Luxemburgo, além de responsáveis políticos e representantes de entidades públicas portuguesas. O programa incluiu ainda visitas técnicas ao Porto de Lisboa, ao Centro de Operações da Carris Metropolitana e ao Serviço Municipal de Proteção Civil de Lisboa, permitindo conhecer diferentes aplicações dos dados e da tecnologia à gestão de infraestruturas e serviços urbanos. A iniciativa contou com a colaboração de operadores e entidades de mobilidade, entre os quais a Transtejo Soflusa, o Metropolitano de Lisboa, a Carris, a Carris Metropolitana, a CP – Comboios de Portugal, a Autoridade de Transportes de Cascais, a EMEL, a Parques Tejo, a Lisboa E-Nova e a Administração do Porto de Lisboa. Teve ainda o apoio da NOVAe – Hub de Empreendedores da NOVA IMS e o apoio institucional das Câmaras Municipais de Lisboa, Cascais, Oeiras e Sintra. |