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Certificação florestal pode favorecer a biodiversidade
rawkkim (Unsplash)

Certificação florestal pode favorecer a biodiversidade

Esta é uma das conclusões de um estudo realizado por investigadores do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM) da Universidade de Aveiro (UA), que analisou, à escala mundial, a investigação existente sobre o impacto da certificação florestal na conservação de animais e incluiu também um caso de estudo realizado em florestas certificadas, ou em processo de certificação, em Portugal

A certificação florestal pode contribuir para a conservação da biodiversidade ao promover habitats mais diversificados e condições mais favoráveis à fauna. Esta é uma das conclusões de um estudo realizado por investigadores do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM) da Universidade de Aveiro (UA), que analisou, à escala mundial, a investigação existente sobre o impacto da certificação florestal na conservação de animais e incluiu também um caso de estudo realizado em florestas certificadas, ou em processo de certificação, em Portugal.

Assinada por Joana Pinto e Victor Bandeira, do Departamento de Biologia, e por Sofia Corticeiro, do Departamento de Ambiente e Ordenamento, a investigação, publicada na revista Trees, Forests and People, procurou perceber se a certificação, enquanto instrumento de promoção da gestão sustentável das florestas, pode beneficiar a fauna através da melhoria da qualidade dos habitats. Para isso, os investigadores analisaram dados sobre a presença de anfíbios, répteis, aves e mamíferos, bem como informação sobre a flora existente nas áreas estudadas.

Os resultados apontam para uma relação positiva entre a diversidade da fauna e algumas características ambientais das florestas. Maior diversidade de árvores, arbustos e espécies herbáceas, bem como a presença de água, podem proporcionar recursos importantes para diferentes espécies e contribuir para habitats mais favoráveis à vida selvagem.
 

Vantagens e mais vantagens

Entre as práticas de gestão promovidas pelos sistemas de certificação florestal estão a manutenção de madeira morta, a diversidade de espécies florestais, a realização de fogo controlado, a proteção das zonas ripícolas e a conservação de florestas maduras, nativas e de elevado valor de conservação. Estas medidas podem beneficiar diferentes grupos de animais, desde invertebrados e peixes, a anfíbios, répteis, aves e mamíferos.

A análise da literatura científica revela, contudo, algumas lacunas. A investigação disponível é sobretudo de origem europeia e dedica mais atenção às aves e aos mamíferos, enquanto grupos como invertebrados, répteis, anfíbios e peixes permanecem menos estudados. Os efeitos das práticas de gestão também não são iguais para todas as espécies ou regiões.

Fatores como a exploração florestal e a fragmentação dos habitats podem continuar a limitar os benefícios da certificação, sobretudo no caso de espécies com necessidades ecológicas mais específicas. Por isso, os investigadores defendem que as medidas de conservação devem ser adaptadas às características de cada espécie e de cada território.

O estudo, inserido no projeto ERA Chair BESIDE, sublinha ainda que a certificação florestal não deve ser encarada como uma solução isolada para as ameaças que afetam as florestas e a fauna. A sua articulação com outras estratégias e políticas de conservação, como a Rede Natura 2000 e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, poderá contribuir para alcançar melhores resultados ambientais, sociais e económicos.
 

Vantagens económicas

Além dos benefícios ecológicos, a certificação pode também gerar vantagens económicas para os proprietários florestais, embora os custos e os retornos associados variem entre países e regiões. Em alguns casos, os encargos financeiros e administrativos continuam a constituir um desafio e o valor obtido através dos produtos certificados pode não corresponder às expectativas dos proprietários.

Os autores defendem, por isso, a necessidade de mais investigação de longo prazo e de programas de monitorização que permitam avaliar os efeitos da certificação sobre diferentes espécies e ecossistemas.

Os resultados mostram que a certificação florestal pode desempenhar um papel na promoção de florestas mais sustentáveis e favoráveis à biodiversidade, mas a sua eficácia depende da adoção de práticas adequadas às características ecológicas de cada território e da sua articulação com outras estratégias de conservação.

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